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Testemunhos
DONELZI TEIXEIRA SANTOS
SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ / BA
Primeiramente agradeço a Deus por sempre estar presente em minha vida a iluminar e abençoar esta minha trajetória.
À toda Equipe do Implante Coclear do HC-FMUSP/FORL - especialmente à Fonoaudióloga Maria Valéria Schmidt Goffi Gómez, obrigada pelo carinho e atenção, que Deus a recompense, por tamanho desprendimento e profissionalismo. E, perdoe-me o tardio depoimento.
À toda Equipe(fonoaudiólogas, médicos, enfermeiros e outros), meu eterno agradecimento, do fundo do meu coração.
Fiz o IC em 11/2005, depois de conviver durante 23 anos no mais profundo silêncio. Mas a minha história com o implante coclear começa em 1990, quando ainda morava na Bahia, sem a mínima esperança de readquirir a audição (oficialmente irreversível, segundo a bula do medicamento que a ocasionou) perdida totalmente em 1983, então com 19 anos.
Em 1990, chegou-me às mãos uma manchete do jornal A TARDE (SSA-BA), onde se lia: "PROFres DA USP DESENVOLVEM DISPOSITIVO QUE RESTABELECE A AUDIÇÃO DE SURDOS".
Naquele dia não dormir... Cheia de esperanças, mas havia a distância SP_BA. Então escrevi para o Dr. Ricardo F. Bento, relatando a impossibilidade de deslocamento até SP, para consulta. Como resposta da equipe do DR. Ricardo, ele dizia ser difícil à distância afirmar ser eu candidata ou não ao implante. Note-se que naquela época ainda não havia o TFD- Tratamento Fora do Domicílio(Portaria ministério da Saúde/SAS/Nº 055 de 24 de fevereiro de 1999)
Até 2000, ano que eu vim para SP, trazendo na mala a carta-resposta do Dr. Ricardo F. Bento, e no coração muita coragem e determinação para vencer quer seja ouvindo ou não... Para me desestimular, comentava-se muita coisa a respeito do IC: que era uma cirurgia muito demorada, pois que abria a cabeça do surdo, que muitos ficavam sequelados e muitos morriam na mesa de cirurgia. O que assustava!!!
Comecei então a fazer parte da comunidade surda local e sentia a discriminação entre os surdos oralizados e os sinalizados da capital paulista. Até comecei a aprender a Libras, como ferramenta de trabalho, para dar aulas de geografia (apesar da surdez consegui concluir o curso licenciatura plena em Geografia pela UCSAL/BA, tornando-me professora) no Instituto Sta.Terezinha - escola tradicional de SP na educação de surdos, com filosofia bilingüista: oralismo e Libras.
Do tempo que permaneci lá, comecei a conhecer melhor o universo do deficiente da audição. Também comecei a expandir meu circulo de amizades, até conhecer num dos tantos encontros, promovidos pelo FIC - Fórum de implante Coclear, na internet.
Lá conheci o Roner Dawson, o Luiz Felipe, a Anahí Guedes e tantos outros implantados, pessoas que passaram pela experiência da perda auditiva e foram resgatadas através do implante coclear e, se disponibilizaram a ajudar aos que estavam passando pela mesma experiência e encontram-se sem perspectiva de reversão; mesmo assim, ainda não havia me decidido pelo IC.
Porque esperava que o implante me livrasse da leitura labial. Ao que a fonoaudióloga Mariana me questionou: Donelzí, a leitura labial é um recurso que você terá que usar a vida toda e, sua audição pior que está não pode ficar. Por que você ta demorando em decidir, o que você tem a perder??
Era o que eu precisava ouvir/ver, então corri atrás e em menos de 5 meses fui chamada pela equipe para confirmação da cirurgia.
Em dezembro de 2005, um mês após a cirurgião recebi o Esprint 3G e após sua ativação, comecei a perceber os sons, de início um pouco distorcido, mas após o feedback da minha memória auditiva, comecei a perceber tudo claramente e fico arrependida de ter perdido tanto tempo para decidir pelo IC.
Hoje trabalho como assistente administrativa, atendo e faço ligações pelo telefone e possuo o meu celular. Por isso, aos surdos que como eu estão demorando de decidir, digo: não percam mais tempo, o IC é tudo de que nós surdos precisamos para retornar ao mundo sonoro.
Quem nunca foi tolhido do sentido da audição, não sabe o significado do Implante Coclear, como milagre para os ensurdecidos e, para as criançinhas com surdez congênitas, que com ele desde cedo, terão melhor qualidade de vida.
Que nunca falte IC para os surdos que desejam ouvir.


Att:.

Donelzi Teixeira Santos

Mais uma vez obrigada a toda Equipe do HC-FMUSP/FORL.
Que Deus abençoe vocês.